segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Conan - A Hora do Dragão - Análise do Livro

Saudações, fieis leitores! Na postagem de hoje, vamos falar pela primeira vez de um livro, não que a literatura em si não tenha tido o seu espaço ao longo dos anos neste humilde blog, mas hoje, vamos de um livro propriamente dito. O livro em questão, talvez minha maior surpresa nesse ano, foi o único romance escrito por Robert E. Howard para a sua maior criação, Conan, o Bárbaro. É a análise de A Hora de Dragão que vocês acompanham agora na Sala Reclusa.


(Capa do Livro - baseada no fraco filme de 2011)





"A  bandeira do Leão balança e cai nas trevas assombradas 
pelo horror. Um dragão escarlate, nascido dos ventos da ruína,
sussurra. Os brilhantes cavaleiros estão amontoados onde as
lanças pontiagudas irrompem, e nas montanhas arrepiantes os 
deuses perdidos da escuridão despertam. Mãos mortas apalpam
nas sombras e estrelas empalidecem de pavor, pois esta é a Hora
do Dragão - o triunfo do medo e da noite."

Pois bem, a história se inicia com Conan longe dos campos de batalha e das aventuras. Agora rei da Aquilônia, uma vida de paz e tranquilidade parece enfim ter alcançado o cimério. No entanto, nas sombras do reino da Nemedia, um insidioso complô se organiza e a vida do bárbaro é um dos pontos de sua pauta. Para depô-lo, e assim assegurar o reino para o verdadeiro herdeiro, eles  ressuscitam Xaltotun, um antigo e poderoso mago da maligna e esquecida Acheron. Com a ajuda do mago, eles conseguem depor o bárbaro e agora, sozinho e contra forças além da sua compreensão, Conan se vem em uma jornada para recuperar o trono.

Esse foi o meu primeiro contanto com o trabalho do  pai do gênero espada e feitiçaria - gênero este que engloba obras de peso como os trabalhos de Tolkien e de C.S.Lewis - e confesso que fiquei bastante impressionado.  Howard é dono de uma narrativa vigorosa e bastante detalhista - que captura e entretêm seu leitor - e seus personagens são fascinantes. Para aqueles que esperam apenas um bárbaro bruto e monossilábico, nada mais surpreendente do que o seu Conan - um exímio estrategistas e hábil guerreiro - com o qual inúmeras vezes ele critica o conceito de civilização. Por vezes, o assim chamado bárbaro age de maneira mais racional e civilizada do que a dita civilização, mas de uma maneira tão bem elaborada que o que poderia ser um recurso tolo e ingênuo se torna uma crítica mordaz. Apesar disso, tem-se a sensação de que  a história corre muito por volta dos 6 últimos capítulos - talvez um dos grandes problemas de se publicar nos pulps. - mas não é nada que realmente atrapalhe a história ou o seu desenvolvimento.

Outro ponto positivo do livro é que, além do romance, temos ainda três contos do autor com o personagem. São eles "Além do Rio Negro", "As Negras Noites de Zamboula" e "Os Profetas do Círculo Negro", contos até então inéditos por aqui. Aqui, uma vez mais temos a prosa de Howard atuando, e talvez de maneira até melhor uma vez que o conto, graças ao seu tamanho reduzido, permite uma singeleza que não cabe muito bem ao romance.

No mais, o livro é um belo trabalho, apesar de alguns leves erros de tradução, e contêm, como um bom bônus, um prefácio escrito pelo mestre Roy Thomas, lendário editor chefe da Marvel e responsável por muitas das histórias do Conan produzidas pela Casa das Ideias. A capa também pode parecer - e é - um problema, mostrando que o livro foi "convenientemente" lançado perto do filme para arrecadar algum dinheiro, mas, cá entre nós, é até justo se levarmos em conta que  o Howard só criou o Conan para vender suas histórias para a Weird Tales.

Leitura recomendada não só para os fãs de fantasia como para aqueles que gostam de ver um bom derramamento de sangue.

Conan, O Bárbaro tem 384 páginas, saiu pela Editora Generale (um braço da Editora Évora), conta com a tradução de Alexandre Callari  e deve custar algo por volta de R$ 34,90.