quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Cassino Royale (Livro) - Resenha

Saudações, fieis leitores! Retornando efetivamente ao meu posto neste humilde espaço virtual, trago até vocês o livro de estreia do famoso agente com licença para matar. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa:








Escrita durante seus meses de férias em sua propriedade Goldeneye - local onde Fleming veio a escrever todos os 13 livros da série - na Jamaica, o primeiro romance a apresentar o agente 007 foi um sucesso estrondoso na época de seu lançamento, em 1953. Tal fato pode ser atribuído à uma série de motivos, entre eles ao fato de Bond representar um símbolo de força no período pós em guerra em que o outrora próspero império Britânico começa a sofrer um lento, porém perceptivo declínio, mas aqui vamos nos ater a questões muito mais simples e, porque não, mais pertinentes ao público de nosso século XXI.

Primeiramente, creio que as formalidades me obrigam a apresentar uma breve sinopse do livro, então aqui vai: Escolhido por M, James Bond é enviado até a cidade de Royale. Sua missão, derrotar o agente comunista Le Chiffre, tesoureiro de um sindicato comunista francês que, após torrar o dinheiro recebido pela URSS em uma série de investimentos que não deram certo, tenta desesperadamente recuperar o dinheiro no cassino da cidade. Com isso, os aliados da OTAN conseguiriam não só desmoralizar Le Chiffre, como atrasar os planos da URSS no Ocidente.

E assim começa o jogo.

Ao longo do romance de 173 páginas, Fleming nos brinda com uma narrativa envolvente e deliciosa. Parte disso se deve à habilidade com que ele consegue descrever uma cena ou um lugar, nunca sobrecarregando demais o leitor, mas ainda assim não se limitando ao básico, criando à medida certa para o suspense. Exemplo dessa habilidade se encontra nos capítulos 10-13 que envolvem o confronto entre Bond e Le Chiffre na mesa de bacará - após uma detalhada e apaixonada explicação sobre as regras do jogo. Jamais uma partida de cartas conseguiu ser tão envolvente e tensa - a ponto de conseguir fazer o leitor prender a respiração à cada carta entregue pelo banqueiro, assim com o passar de cada página - como a criada por Fleming e, sinceramente, creio que jamais existirá. Outro exemplo da maestria do autor se encontra na excruciante tortura de Bond alguns capítulos adiante, que consegue praticamente transmitir a dor do personagem ao leitor, principalmente se este for homem. Também é de maneira extremamente eficiente  que o autor prepara o gancho para as aventuras futuras do personagem, sem, no entanto, se comprometer seriamente com isso.
 
No entanto, à um ponto da história que me incomodou em questão de desenvolvimento. Esse ponto se encontra no capítulo final do livro. O fato é que eu o achei bastante previsível desde o começo, mas isso talvez se deva ao fato de ter recebido algum spoiler com relação ao filme, e, mesmo assim, não é o suficiente para estragar a experiência.

Mais uma coisa que eu gostaria de elogiar foi a bela capa produzida pela Editora BestBolso para a sua edição de bolso. Hoje em dia, é um tanto quanto difícil encontrar uma capa bem feita de livro, e quando digo bem-feita, quero dizer algo como "capaz de resumir, em uma imagem ou em um conjunto de imagens, a ideia e a atmosfera central do livro". Neste sentido, a Editora BestBolso fez um trabalho excelente que, ainda por cima, nos lembra das saudosas aberturas dos filmes do espião menos secreto do mundo.


Então, finalizando: Cassino Royale é uma excelente leitura, com um suspense bem desenvolvido, mas ainda assim bem leve. Bom não só para os fãs do 007 como para aqueles que simplesmente aprecia uma boa leitura. Além disso, por ser um livro de bolso, tem um preço bem camarada.