sábado, 6 de outubro de 2012

Especial de Halloween:Ano I - Sugestões Musicais (I)


Saudações à vos, bravos peregrinos que ousam adentrar por estes portais profanos! Dando prosseguimento ao nosso especial de Halloween, vamos falar agora sobre música, desta vez, sobre um álbum de um sujeito chamado Nick Cave. Mas deixemos de enrolação e partamos logo para a postagem, sim?


NICK CAVE AND THE BAD SEEDS - MURDER BALLADS




Para aqueles que não o conhecem, Nick Cave é um músico, compositor e escritor australiano. Nasceu em 22 de Setembro de 1957 e em 1983 montou sua banda mais conhecida, e que atua até hoje, a Nick Cave and The Bad Seeds. Entre suas composições mais conhecidas, podemos citar sem dúvida a  música Red Right Hand  - que já chegou a aparecer em filmes (como Pânico, Hellboy e no seriado Arquivo X) e a Up Jumped The Devil (aqueles que jogaram Alan Wake vão me entender). Uma vez feita essa brevíssima apresentação, passemos para o álbum então.
 Lançado em Fevereiro de 1966 (dia 5 no Reino Unido e dia 20 nos EUA) o álbum, como o próprio título sugere, traz em todas as suas dez faixas histórias de assassinatos (uma trilha sonora perfeita para o Halloween, não acham?) e foi bastante aclamado pela critica e pela MTV - como sinto falta da época em que a MTV prestava... - mas à algo mais interessante sobre este álbum do que ter sido bem recebido pela crítica. Ele é um verdadeiro resgate de um gênero bem popular da Europa e América do século 19, a murder ballad (não creio que exista um termo para isso em português, então vamos usar a tradução livre de balada de assassinato daqui para frente, sim?). Mas o que seriam essas baladas de assassinatos você se perguntam?
 Bem, como descobri recentemente enquanto trabalhava nesta postagem, as baladas de assassinatos são basicamente histórias (bem carregas de misoginia) sobre uma mulher sendo assassinada e com seu algoz pagando por seu crime, seja sendo enforcado - ou com algum outro fim - ou passando o resto da vida sendo perseguido por algum espírito vingativo. Em resumo, algo que nunca poderia ser feito em nossos tempos cheios de politicamente correto. Alguns exemplos bem famosos de músicas desse tipo são: The Lonesome Death Of Heatie Carroll de Bob Dylan, Cocaine Blues de Johnny Cash e, para colocar um brasileiro no meio, À Beira do Pantanal de Raul Seixas (ainda acho que ele fez uma "tradução" da música, mas isso já é outra história...).
 Agora voltando ao álbum: Que belo resgate! A riqueza de arranjos e a grande variedade de estilos, e a maestria com que eles vão se alternando é algo fantástico, enquanto temos uma música tão "pesada" quanto Song Of Joy temos uma balada romântica como Henry Lee e uma música "alegre" como The Curse Of Millhaven e tudo isso de uma maneira incrivelmente orgânica. O trabalho nas letras também é incrível: o jogo elaborado em torno da música Song Of Joy  - que deixa à entender que o próprio narrador seria o assassino, a doçura homicida da pequena Loretta em Curse Of Millhaven,  o amor, mesmo que doentio, que dá a beleza nos versos de Where The Wild Roses Grow, a quantidade absurda de palavrões na música Stagger Lee, entre outros.Todo o trabalho em torno do álbum é incrível, conseguindo transformar algo que para muitos soaria como algo loucura,  mal gosto,  algo pervertido, insira aqui um adjetivo que sirva como insulto, em uma verdadeira obra de arte, e a capa também não faz feio nesse quesito.

 Para os curiosos e muito corajosos, ou insanos, aqui vai a relação das faixas do álbum:

1 - Song Of Joy
 2 - Stagger Lee
 3 - Henry Lee
 4 - Lovely Creature
 5 - Where The Wild Roses Grow
 6 - The Curse Of Millhaven
 7 - The Kidness Of Strangers
 8 - Crow Jane
 9 - O´Malleys Bar
 10 - Death Is Not The End

E como, cortesia do blog, uma música do álbum:


Como estamos em pleno mês de Outubro, é bem provável que algumas delas venham à aparecer por aqui, por isso, fiquem ligados - isso é, se tiverem a coragem necessária.